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sábado, 10 de dezembro de 2011

A terceira idade pode sim ser a melhor idade.

     É fato que a expectativa de vida do brasileiro está  sendo elevada, dados do IBGE do último senso de 2010 mostram que esta expectativa de vida passou de 70 para 73,1 anos na última década, enquanto que a taxa de fecundidade caiu em média para dois filhos por mulher. Assim, a população com 65 anos ou mais passou de 5,9%, em 2000, para 7,4% em 2010. 
     O envelhecimento é fantástico quando analizamos a experiência de vida  de  individuos ativos, pois a inatividade  nesta idade acarreta algumas mudanças  nos níveis de saúde como redução da força muscular, doenças cardiovasculares, redução do equilíbrio, distúrbios neurológicos, alterações do sono, etc, coisas que todos nós sentiremos caso algumas atitudes não sejam  tomadas. Dou detalhes dessas possíveis alteraçõres em um artigo anterior: Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física.
     A perda de massa muscular esquelética que ocorre no envelhecimento é um dos problemas mais representativos, que gira em torno de 40%. Essa consequência do envelhecimento é conhecida como sarcopenia, termo que indica a perda de massa, força e qualidade do músculo, o que dificulta o movimento e tarefas do dia-a-dia.
     Outra complicação é a redução da densidade óssea, ou perda de massa óssea. A osteopenia ou a mais severa osteoporose, atinge mais mulheres do que homens. Fatores nutricionais, hormonais, genéticos e níveis de atividade física também atuam no envelhecimento. Hábitos saudáveis como a prática regular de exercícios físicos e uma alimentação adequada podem fazer os gastos com saúde e remédios diminuirem.
      A Sociedade de Medicina do Esporte (SBME) e a Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia (SBGG) pregam que o exercício físico regular melhora a qualidade e expectativa de vida do idoso ,beneficiando o mesmo em vários aspectos principalmente na prevenção de incapacidades físicas geradas por patologias e traumas ortopédicos.
      A prescrição dos exercícios deve ser feita de maneira cuidadosa e individualizada,  cada indivíduo  apresenta seus problemas e particularidades. Anteriormente deve se realizar uma avaliação que observe o que está ameaçado ou limitado. A prática de exercícios libera maior concentração de hormônios responsáveis pela sensação de prazer e de bem-estar, diminuindo e prevenindo depressão e o desânimo.
      Outro aspecto a ser observado é que o idoso tende ao isolamento social devido a perda de amigos e familiares. Ao participar de grupos de atividade física, passeios, o idoso se insere em grupos sociais que tendem ao cuidado com a saúde.
       O ambiente onde é praticada a atividade também influi bastante, já que o aspecto emocional e psicológico são grandes motivadores para que o idoso tenha a vontade de viver e uma sobrevida de qualidade.
      Eu particularmente adoro trabalhar e conviver com indivíduos da melhor idade, atuando no projeto 'Bom Dia' da Prefeitura de Rio das Ostras, que constitui uma ginástica na areia seguida de hidroginástica no mar. Lá observo a qualidade de vida e o bom humor dos que praticam a atividade. Alguns deles além do projeto 'Bom Dia' praticam o 'Movimento' e 'Natação no mar'.
Sem dúvida esses alunos reconhecem a diferença da vida que levavam antes da prática de exercícios e a autonomia que têm hoje.
     Algumas fotos e um vídeo dos grupos do 'Bom Dia' do Centro e da Cidade Praiana em Rio das Ostras.









   Nunca é demais lembrar alguns benefícios da prática regular de exercícios, vale ressaltar que esses benefícios são potencializados nos idosos:

:: Redução dos triglicerídeos;
:: Redução da pressão arterial e da tendência à arritmia pela diminuição da sensibilidade à adrenalina;
:: Estímulo hormonal e imunológico;
:: Redução da gordura corporal;
:: Aaumento da massa muscular;
:: Melhora da capacidade cognitiva.


   Não espere essa faixa etária chegar para se exercitar, esse hábito deve ser iniciado na infância para que você possa gozar ainda mais dessas melhorias na qualidade de vida, assim todos podemos reduzir ou anular alguns dos efeitos  naturais  e indesejados do envelhecer para que possamos ter a alegria que presenciamos nesse grupo de senhores e senhoras.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Impacto do envelhecimento nas variáveis antropométricas, neuromotoras e metabólicas da aptidão física

   Olá pessoal, como particularmente gosto muito do trabalho com idosos, ou terceira idade ou melhor idade, como preferirem, ia escrever algo sobre as mudanças do organismo humano com o envelhecimento. Não é novidade que a atividade física para esse grupo é fundamental para que se possa viver com saúde. Porém as reportagens não costumam relacionar os efeitos que naturalmente ocorrem no nosso corpo com o passar dos anos. São esses efeitos que o exercício previne ou trata. 
   Lendo para relatar essas mudanças achei uma revisão biliográfica sobre o tema, assim terão acesso a releitura de vários artigos em um só.
   O resumo que segue abaixo dá uma idéia de todos os fatores. Caso queiram ler na íntegra, façam o dowload do artigo.

Revisão analisa principais efeitos do envelhecimento em diferentes componentes da aptidão física: antropométricos, neuromusculares e metabólicos.

   Esta revisão teve como objetivo analisar os principais efeitos do envelhecimento em diferentes componentes da aptidão física: antropométricos, neuromusculares e metabólicos. Considerando as variáveis antropométricas, o processo de envelhecimento é acompanhado por um aumento do peso corporal, especialmente dos 40 aos 60 anos de idade, com diminuição após os 70 anos de idade; diminuição da estatura corporal gradativa, explicada, em grande parte, pela perda de massa óssea; aumento da gordura corporal, diminuição da massa livre de gordura e seus principais componentes (mineral, água, proteína e potássio); diminuição da taxa metabólica de repouso, massa muscular esquelética e massa óssea. Nos aspectos neuromotores, o aumento da idade cronológica é acompanhado por uma perda da área dos músculos esqueléticos, explicada pela diminuição do número e tamanho das fibras musculares (em especial, das fibras de contração rápida do tipo IIb) e uma perda gradativa da força muscular e, portanto, do desempenho neuromotor. Nas variáveis metabólicas, os principais efeitos, na aptidão física, acontecem na diminuição da potência aeróbica (consumo máximo de oxigênio) em torno de 1% por ano, mesmo em indivíduos ativos. Esses efeitos deletérios do envelhecimento têm sido apresentados especialmente em estudos transversais, com grupos de ambos os sexos e faixas etárias variando dos 20 aos 90 anos de idade, com escassas evidências de estudos longitudinais. Os efeitos da perda começam a ser aparentes em torno dos 50 anos de idade e na maior parte das variáveis da aptidão física, a perda é gradativa e em torno de 1% ao ano ou 10% por década de vida. No entanto, os indivíduos ativos apresentam também alterações na aptidão física com o processo de envelhecimento, essas perdas parecem ser menores, em relação aos indivíduos sedentários.

Artigo na íntegra: